E a menina chega a festa afoita pela dança, entre copos de whisk’s, cigarros e olhares, se deslumbra com o som, o penteado do cabelo se desfaz e ela faz o vestido rodar. Encontra amigos de conversas rápidas e superficiais, escuta brigas de casais enciumados, e ela mantém o sorriso no rosto e passos rápidos em um ambiente curto. Ela se atropela na multidão, chega a um estado sem vida e sem morte, chega em um estado seu.
Entre o fim da noite e a chegada do dia, ela ainda não se quieta, se junta a outros inquietos e vão vê mais um nascer do sol. Com a sandália segura entre os dedos caminha com os pés na areia ainda sentindo a frieza da noite. Então olha que no longe do mar uma luz nasce, então esforça os olhos para contemplar, o coração aos poucos parece quietinho, o sorriso dado já é lúcido e proposital.
E o mar lá,
com ondas quebrando,
água brilhando,
e sol se erguendo.
E os trajes ainda da noite, perde o sentido no meio da luz, e mais uma vez ela não se reprime, os largam na areia e se arremete ao mar, sem olhar pra trás, pois havia outros perdidos da noite a olhá-la. A água percorre o corpo cansado, carregado e renova-o com um fôlego nunca imaginado, a maquiagem se perde na água, e ela fica com um rosto nú e exposto, o mar se agita dizendo que está na hora de ir...Ela levanta para enfrentar a vergonha da felicidade e percebe que seu passo foi o primeiro dos demais, os “anoitados” estavam todos lá, em um só banho, em uma só lavagem de alma.
O sol queima,
escurece a pele,
o vento trás frio
e arrepios.
È hora de ir, a terra, a água e o ar pedem isso, ela e todos se retiram. E o cansaço de novo está lá, mas é suave a ponto de conduzir a um silêncio de corpo e alma, todos percorrem o mesmo caminho de casa, mas nem um sente o outro ali, pois cada um está em um êxtase de exaltação da alma.



