A palavra
apego tem sua etiologia advinda do latim PICARE, que significa agarrar, ter em
si.
Com isso
podemos da inicio ao nosso discurso do que seria o apego, para entender o porquê
do desapego tornar-se de fundamental importância nas nossas vidas.
É entendido
então que o apego é comparado a algo fixo, permanente. Em contrapartida a vida tem
em sua base a mudança, a evolução, a mobilidade.
Quando existe
o movimento a uma inexistência do fixo e vice-versa, então chegamos a um ponto
onde descobrimos que para que haja vida é necessário mudanças, desde pequenas a
grandes, mas sua condição é fundamental a existência humana.
Focalizemos
então que tudo muda o tempo todo, seja sobre nossas vontades ou sobre
acontecimentos aleatórios. Então a única coisa que temos de constante nela é
essa transmutação contínua.
Acompanhando
esse raciocínio, imagine-se sendo levado por uma força maior, pense talvez em
uma grande ventania, uma força tão incontrolável, que nada e nem ninguém pode
deter (Esse grande vento aqui, será considerado as mudanças da vida).E o que entendemos
até agora é que se há vida, há mudança.
Então
voltando ao exemplo anterior, essa ventania que está tentando te levar à frente
começa encontrar barreiras, pequenas folhas, você certamente sentirá poucas
delas sobre seu corpo. Mas no meio dessa ventania, no meio dessa força
impulsionadora começam a aparecer obstáculos maiores, como árvores, você tem o
poder de desviar delas (apesar da grande ventania, você possui reflexos) porém
por algum motivo você decide agarra-se a elas, a cada uma pela qual você passa, mesmo sabendo que
não poderá segurar por muito tempo, pois a força que o impulsiona continua ali,
você querendo ou não. Então você se agarra, mas a força te impulsiona, e você
começa a perceber que suas mãos estão sangrando, que seu corpo se fere, e todas
as árvores são deixadas para trás, qual seria o motivo então de continuar a
segurar-se?
Daí
entendemos que o apego é isso, a escolha da dor, enquanto você vive, várias
coisas e pessoas vão passar por sua vida, enquanto estiver seguindo o mesmo
caminho que o seu, você pode observar, e assim como a arvore, você pode colher
seus frutos, regar suas folhas, mas caso esteja indo pra um lado oposto, você
não pode fazer nada. Se quiser ser feliz, se quiser o não sofrimento, você tem
que seguir e deixar seguir. Aí entra o desapego. A ausência da necessidade de
agarra-se a algo que é impermanente, como Osho definiria, as coisas são como
bolhas de sabão. Uma hora ou outra elas vão estourar e você não vai poder
reconstruir, não vai poder colher as milhares de micromoléculas, você apenas
pode começar a observar outras bolhas, pois em toda parte existem milhares
delas. Imaginando assim, que tolo tentaria agarrar uma bolha de sabão e tê-la
por toda uma vida?
Até aqui
então tivemos o entendimento, do por que não apegar-se, o que nada tem haver
com egoísmo, ou coisa do tipo, como banalizam por aí o desapego. Estamos todos
em uma caminhada, cada um tem sua própria força impulsionadora para um caminho
e isso é alheio as nossas vontades, devemos então observar o nosso fluxo,
absorver o melhor do que passa por nós em cada fase de nossas vidas e continuar,
sempre continuar. Enquanto houver vida, não há outra escolha, aceitar isso é a
única forma de não perder tempo e evitar dores desnecessárias. Mas vale lembrar
que algumas coisas e pessoas foram feitas e estão sendo impulsionadas no mesmo
caminho que o nosso, então não existe motivo para agarrar, por que o que tem
que ficar, vai ficar e o que tem que ir, vai também.
Roberta S. Miranda.
Roberta S. Miranda.




